sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Totalmente seco, Açude do Cedro acumula mais de 400 tartarugas mortas e ameaça ecossistema

Foto: Hugo Fernandes Ferreira
O Açude Cedro em  Quixadá, no Sertão Central, famoso ponto turístico aos pés da Pedra da Galinha Choca, transformou-se em um cemitério de quelônios, nome que abrange os grupos de tartarugas, cágados e jabutis.

O alerta da gravidade da situação foi dado pelo zoólogo Hugo Fernandes-Ferreira que iniciou pesquisa urgente sobre o impacto do problema. O programa Gente na TV, da TV Jangadeiro/SBT, foi ao local conferir o cenário.

O açude centenário, a cerca de 170 quilômetros de Fortaleza, é o primeiro reservatório construído no Brasil e está completamente seco. Após ser alertado por estudantes da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o professor e os alunos contabilizaram o número de 439 tartarugas de água doce mortas, também conhecidas como cágados. “É uma contagem alarmante, sem dúvida”, lamenta.

“Isso não se resume a uma simples tristeza do fato. Esses animais cumprem papel fundamental na cadeia alimentar, inclusive pela alimentação parcialmente detritívora, otimizando a ciclagem de nutrientes”, escreveu Hugo em publicação no Facebook.

O doutor em Zoologia pontuou ainda que a crise de sobrevivência dos animais teve início, provavelmente, antes da seca. O fato foi observado porque os cágados são todos de uma mesma espécie (Phrynops geoffroanus). A expectativa era de que, pelo menos, outras duas espécies menos resistentes habitassem o açude.

“Isso quer dizer que, antes da seca, a situação do açude possivelmente já estava crítica, talvez por poluição, alta salinidade da água ou outros fatores”, ressalta.

Diante do impacto percebido sobre os cágados, o professor alerta que o impacto pode ser muito maior diante dos milhares de peixes e milhões de invertebrados que ali viviam. “Cadê os predadores das larvas do Aedes aegypti? Os índices de dengue, zika, chikungunya e mayaro podem ser alarmantes se nada for feito para controlar a reprodução”, afirma.

O estudo do professor e seus alunos ainda está na fase inicial. Um plano de recuperação deve ser traçado pelo grupo. “A intenção é mostrar que o problema da seca do Nordeste é complexo demais para ser tratado com tanto descaso e falsas promessas há décadas. O que está acontecendo no Cedro é observado em dezenas de outros açudes. A biodiversidade da Caatinga e a população pobre do sertão merecem, por uma questão de direito basal, políticas que realmente resolvam”, destacou. (Do Tribuna do Ceará)

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