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quinta-feira, 15 de março de 2018

Relato de médico quixeramobinense revela dificuldades enfrentadas no Hospital Regional Dr. Pontes Neto

O que seria uma simples publicação do médico Hélio Victor, de 25 anos, acabou ganhando mais repercussão na rede social Facebook, sobretudo em Quixeramobim. O profissional relatou as dificuldades enfrentadas no atendimento que presta no Hospital Regional Dr. Pontes Neto.

Hélio Victor ressalta que das cidades que já prestou serviço, sua terra natal é a mais difícil. Em outra parte do texto, o mesmo lembra da grande demanda e das intempéries que enfrenta com a incompreensão de algumas pessoas e até mesmo dos atrasos salariais que segundo ele, se tornaram ‘comum’.

Acompanhe o texto:
“Seria assim tão difícil se colocar no lugar do outro? Dentre todas as mais de 15 cidades que já trabalhei no Ceará e Maranhão, em apenas 9 meses de formado, sem dúvida, a mais difícil é a minha amada terra Quixeramobim.

Trabalhar no Hospital Regional Dr. Pontes Neto foi e continua sendo uma escola até hoje. Primeiro pela exorbitante quantidade de atendimentos. Segunda-feira passada atendi mais de 250 pessoas, de 07 até às 19 horas. Segundo, pela falta de estímulo, atrasos salariais de 3 ou 4 meses é algo já comum. Terceiro, por uma minoria de pessoas que não sabem se colocar no lugar do outro.

Vou exemplificar, como todos sabemos, emergência de hospital é lugar para como o próprio nome diz: Emergência. Não importa se você está com dor de cabeça há 2 horas, dor de dente há 2 dias ou unha encravada há 3 semanas, aquele paciente com pressão 200x120, aquele paciente com suspeita de infarto, suspeita de AVC, alguém que tem uma fratura exposta vai e deve ser atendido primeiro. Pois bem, estava eu no meu último plantão atendendo uma suspeita de infarto, uma emergência que tem um tempo limite para ser tomado as condutas, quando me chega a notícia por uma paciente de que uma outra mulher dizendo em alto e bom tom que ia me buscar lá dentro se esperasse mais meia hora para atender o seu filho com dor de garganta.

Tudo bem, continuei fazendo o certo, atendendo a emergência e consegui estabilizar o paciente e fui até o consultório.

Chegando lá pergunto: “por que a senhora disse que iria me buscar lá dentro onde quer que estivesse?”.

Em tom de raiva ela responde: “Dr., é porque me disseram que você estava almoçando!”.

“Tudo bem, senhora, e eu não tenho direito a almoçar, apesar de já ser mais de 14h e eu ainda não ter almoçado?”.

“Atenda meu filho agora, senão vou lhe denunciar”.

Sorri, pois certas pessoas têm mesmo dificuldade para compreender e ter o bom senso...

Atendi o filho dela, classificado como atendimento ficha verde (que na teoria pela OMS, poderia esperar 4 horas ou mais e deve ser atendido em unidade básica de saúde) em exatos 17 minutos após sua chegada na emergência.

Outro detalhe: Durante o atendimento a criança, a enfermeira entra na sala: “Dr. SAMU trouxe um paciente, tá na UTU, e ele tá rebaixando”.

Olhei para ela e disse: “Agora você entende?”.

Ela respondeu: “Tudo bem Dr., pode ir lá”.

Moral da história: Nem sempre o médico está dormindo, nem sempre o médico está assistindo televisão, nem sempre você vai ser atendido logo, afinal, se tem uma multidão pra tu atender e tu for atendido logo é porque tu corre, infelizmente, grande risco de vida...

Ah, e quase nunca tu vai me encontrar dormindo, eu nem consigo no hospital, mesmo quando tô lá, sozinho, há 3 dias seguidos, atendendo a multidão, afinal, poucos são os que aceitam e se permitem trabalhar em tais condições”.
Postado por: Jornalismo - Sistema Maior de Comunicação

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