
O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal aposentado Roberto Monteiro, decidiu, ontem, afastar das funções os delegados Francisco de Assis Cavalcante (ex-deputado estadual) e Alexandra Medeiros, além do inspetor Fernando Cavalcante, irmão do ex-parlamentar e esposo da delegada. Os três estão sendo investigados sob suspeita de terem torturado, junto com policiais da Coordenadoria de Inteligência da própria SSPDS (Coin), quatro integrantes de uma quadrilha que praticava assaltos e roubo de caminhonetes de luxo.
"A lei me obriga a afastar essas pessoas de seus cargos. O procedimento que estou tomando é o mesmo sempre que há desvio de função. Elas são suspeitos de terem praticado tortura. Vou afastá-las e aguardar o resultado da investigação. São denúncias graves, que tomei conhecimento através do jornal (Diário do Nordeste)".
O fato foi revelado, com exclusividade, pelo Diário na edição da última quarta-feira, diante de depoimentos tomados no Departamento de Inteligência Policial (DIP). Na presença do delegado Rodrigues Júnior e do promotor de Justiça Francisco André Karbage Nogueira, do Centro do Controle Externo da Atividade Policial (CCEAP), do Ministério Público estadual (MPE), os assaltantes Otacílio Siqueira Júnior, o "Júnior Paulista"; Gilson Lopes Justino, o "Meia-Luz"; Francisco Lopes Justino e o caseiro Francisco da Silva Monteiro, revelaram ter sido torturados.
Segundo eles, as torturas tinham o objetivo de forçá-los a dizer que o superintendente da Polícia Civil, delegado Luiz Carlos de Araújo Dantas, teria envolvimento numa trama para matar a delegada Alexandra e o seu marido.
No dia 16 de agosto último, o casal foi vítima de um suposto atentado na porta de casa, na Cidade dos Funcionários, ocasião em que o inspetor Fernando Cavalcante foi baleado e matou um dos criminosos, identificado, depois, como Jorge Eduardo Carvalho Neto.
Ao tomar conhecimento da decisão adotada pelo secretário Roberto Monteiro, o delegado Francisco Cavalcante reagiu prontamente.
Desmentiu
"Vejo isso como um troféu para o crime organizado no Estado do Ceará. Foi uma medida arbitrária, unilateral e que fere todos os princípios de Direito em uma democracia, especialmente o direito ao contraditório. Não fomos ouvidos e já estamos afastados das funções." Cavalcante foi mais além, desmentiu as acusações de ter torturado os presos e voltou a fazer a dirigir ataques ao superintendente Luiz Dantas. "A intenção dele é derrubar o secretário da Segurança. Está usando o secretário (Roberto Monteiro) como testa-de-ferro." Dantas afirma que aguarda a conclusão das investigações para se manifestar.
(Fonte: Jornal Diário do Nordeste)
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