O secretário da Saúde de Quixeramobim, Raul Dinelly, que não enviou nota aos veículos do Sistema Maior de Comunicação, de onde partiu o relato de uma familiar da jovem Kelly Kayanne da Silva Farias, de 16 anos, que faleceu no dia 28 após complicações no parto, respondeu a um site de outro município.
O titular da Saúde enviou nota ao Diário de Quixadá e se preocupou em colocar opositores dentro da polêmica. Conforme publicação do veículo, que vem repercutindo uma série de relatos de gestantes acusando o Hospital Regional Dr. Pontes Neto de mau atendimento, a iniciativa despertou o secretário a responder. Conforme o site, o gestor afirmou “que os casos divulgados ocorreram no governo anterior, sendo o caso da paciente K.K.S.F (Kelly Kayanne da Silva Farias) o único que aconteceu em 2021.”
A gestão que o secretário se refere tinha a frente Clébio Pavone, opositor de Cirilo Pimenta (atual prefeito, que está a frente da Prefeitura no quarto mandato).
Ainda segundo a publicação, o titular da Saúde garantiu que a gestão tomará todas as medidas cabíveis e que o Pontes Neto preza pelo bom atendimento: “Reafirmo que o Hospital Regional Dr. Pontes Neto preza pelo bom atendimento, transparência e respeito a todos os pacientes e comunidade e continuará prestando todos os esclarecimentos necessários.”
O HRDPN é administrado pelo Instituto de Gestão Hospitalar e Saúde (IGHS), uma Organização Social da Saúde (OSS) criada em janeiro deste ano e que não apresenta histórico de trabalho e experiência em outras unidades de saúde no Ceará para assumir uma importante unidade de saúde como o Pontes Neto. Além dele, a UPA também é gerenciada pelo instituto.
Houve relato de 2021
Contrariando a posição do secretário, em um dos casos de supostos maus atendimentos, a jovem Lara Vieira, de 21 anos, diz ter procurado socorro no Hospital Pontes Neto após começar a sentir muitas dores e apresentar sangramento em maio deste ano.
Ela contou que era um dia de sábado quando as dores se intensificaram. “O médico que me atendeu me disse que não era nada, receitou um remédio para parar o sangramento e fiquei a noite inteira no hospital”, disse. Lara queria fazer uma ultrassonografia para averiguar melhor o estado de saúde do seu bebê, mas o hospital, segundo ela, informou que o exame só seria possível na sexta-feira, cinco dias depois. Com receio de esperar tanto, Lara pagou do próprio bolso uma ultrassonografia e descobriu que seu filho estava morto no útero.
Abalada, Lara voltou ao hospital, já ciente de que o bebê estava morto dentro da sua barriga. Ela diz que o médico se recusou a fazer o procedimento de curetagem e determinou que ela voltasse para casa com o feto morto em seu ventre. Ela revelou, ainda, que a experiência como gestante na unidade de saúde deixou sequelas psicológicas dolorosas.
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(Do Repórter Ceará)
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