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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Após caso Kelly, relatos de mau atendimento a gestantes no Pontes Neto se multiplicam pelas redes sociais

Após a morte da jovem Kelly Kayanne da Silva Farias, de apenas 16 anos, que chocou a região do Sertão Central, vários outros relatos de mães que tiveram atendimentos no Hospital Regional Dr. Pontes Neto, de Quixeramobim, se multiplicaram pelas redes sociais.

O site Diário de Quixadá vem publicando, ao longo dos últimos dias, uma série desses relatos, onde mães narram histórias de verdadeiro descaso. Em um dos casos, ocorrido em maio de 2021, Lara Vieira, de 21 anos, diz ter procurado socorro no Hospital Pontes Neto após começar a sentir muitas dores e apresentar sangramento.

Ela contou que era um dia de sábado quando as dores se intensificaram. “O médico que me atendeu me disse que não era nada, receitou um remédio para parar o sangramento e fiquei a noite inteira no hospital”, disse. Lara queria fazer um ultrassom para averiguar melhor o estado de saúde do seu bebê, mas o hospital, segundo ela, informou que o exame só seria possível na sexta-feira, cinco dias depois. Com receio de esperar tanto, Lara pagou do próprio bolso uma ultrassonografia e descobriu que seu filho estava morto no útero.

Abalada, Lara voltou ao hospital, já ciente de que o bebê estava morto dentro da sua barriga. Ela diz que o médico se recusou a fazer o procedimento de curetagem e determinou que ela voltasse para casa com o feto morto em seu ventre. Ela revelou, ainda, que a experiência como gestante na unidade de saúde deixou sequelas psicológicas dolorosas.

Em outro caso, de 2019, Marília Nely Coelho Almeida, então com apenas 16 anos, sentia dores intensas e achava que seu bebê estava nascendo prematuramente, quando procurou a unidade hospitalar.

Depois de finalmente fazer o toque, o médico percebeu que o bebê estava mesmo nascendo e mandou internar Nely imediatamente. Porém, o que deveria representar mais tranquilidade para a gestante se transformou em um pesadelo. Ela conta que foi abandonada sozinha em um quarto, “sem observação de ninguém”.

“Eu deitei e, depois de algum tempo, a criança começou a nascer. Eu gritava pedindo para virem, mas ninguém aparecia. Então precisei retirar minha filha com minhas próprias mãos. Quando ela saiu, eu comecei a gritar”, diz.

O médico teria ido ao quarto onde Nely estava, pegado a criança e falado: “Sua filha está morta”. Nely refutou, pois havia visto a bebê se mexer, mas o médico, ela conta, insistiu que não havia mais o que fazer. “Levaram ela e não deram oxigênio. Imaginem: uma bebezinha prematura de cinco meses sem oxigênio”, narra Nely.

Algum tempo depois, conforme a jovem, o médico teria liberado o marido de Nely, Israel Costa, para ver a criança. A bebê teria se mexido para ele e mostrou que estava respirando. Diante da prova de vida, o oxigênio teria sido oferecido à recém-nascida, que ainda foi encaminhada para o Hospital Regional do Sertão Central, mas morreu três dias depois.

Os fortes relatos estão provocando uma onda de comentários sobre atendimentos na unidade, a partir de 2021 e até mesmo antes disso, e em sua maioria cobram investigação sobre o recente caso Kelly e os demais que agora aparecem.

Sobre o caso Kelly

A Secretaria de Saúde da cidade e o Instituto de Gestão Hospitalar (IGHS), que administra o Hospital Pontes Neto, publicaram uma nota, em que narra os procedimentos que teriam sido adotados no caso de Kelly. Segundo a versão deles, a jovem teria dado entrada na unidade no dia 25 de outubro, com dores na lombar e dor de cabeça, tomado mediação, melhorado e ter tido alta.

Ainda conforme a versão do Hospital, no dia 27, pela manhã, a jovem teria novamente dado entrada na unidade hospitalar com crises de convulsão. Vale ressaltar que o parto da adolescente estava agendado para ser realizado no mesmo dia 27.

Dada a gravidade do seu estado de saúde, a jovem foi encaminhada ao Hospital Regional do Sertão Central, e morreu no dia 28 de outubro, conforme a nota, em decorrência de choque hemorrágico, eclâmpsia.

O documento não informou se a Secretaria de Saúde ou o IGHS abririam investigação interna para apurar se os procedimentos adotados no caso de Kelly foram corretos.

Nas redes sociais, a cobrança é de que o caso seja investigado e que o Ministério Público, Polícia Civil e demais autoridades apurem o caso.

Relato da família

A tia de Kelly, Geusiane Ferreira da Silva, revelou ao blog Quixeramobim Agora, que a jovem teria sido medicada com dipirona e liberada depois de dar entrada na unidade com dor de cabeça e no peito. Emocionada, Geusiane questionou: ‘Qual era o custo desse homem ter dito – ‘vamos fazer a cesárea dessa menina’?

“O médico dizer que ela tinha capacidade de esperar mais tempo? A menina foi segunda-feira de noite para o médico sentindo dor na cabeça e no peito. A minha irmã disse que ela já estava sentindo contrações e o médico simplesmente passou uma dipirona pra ela e mandou ir pra casa, sendo que o parto dela já estava marcado para quarta-feira. Qual era o custo desse homem ter dito: ‘vamos fazer a cesárea dessa menina?’. Mas não! Foi dar ‘massada’, colocar ela pra acabar com a última força que tinha”, contou Geusiane.

Do Repórter Ceará (Foto: Augusto Alves/SMC)

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