quarta-feira, 21 de junho de 2017

Com dissidência na base, Temer sofre 1ª derrota na reforma trabalhista

Foto: Marcos Oliveira
Para “surpresa” do governo, como definiu o próprio ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, a reforma trabalhista não foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A derrota de ontem por 10 a 9 se consolidou com três votos de governistas: o peemedebista Hélio José (DF), o tucano Eduardo Amorim (SE) e Alencar (PSD-BA).

O Palácio do Planalto contava que teria 11 votos na Comissão, mas, de última hora, saiu prejudicado na primeira derrota do conjunto de reformas propostos pelo governo de Michel Temer (PMDB). Apesar do revés, o texto - relatado pelo tucano Ricardo Ferraço - segue para a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) e então para o Plenário, onde precisa de maioria simples para ser aprovado. Antes, já havia tido aprovação na Câmara e na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Moreira Franco reconheceu que o resultado foi um “sinal ruim” que cria insegurança e dúvidas com relação à recuperação da economia. Ele disse ainda que a parte da base que votou contra “não cumpriu o compromisso”.

“Lamento muito que essas pessoas, que causaram isso, não tenham dimensionado essa sinalização (ruim para a economia). E mais, pessoas que se diziam compromissadas”, afirmou.

O ministro descartou ainda que o resultado negativo do Senado possa influenciar votos na Câmara, seja para reforma da Previdência, seja para rejeitar possível denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer.

Para o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), a derrota foi fruto de falta de articulação, em parte, pela ausência de lideranças que viajaram com o presidente Temer para a Rússia.

“Podia ter adiado, mas o líder do governo (Romero Jucá) preferiu, mesmo sabendo que poderia ter essa votação da forma como foi, perdida por um voto, ele optou por manter o calendário”, lembrou. O senador reafirmou seu compromisso de colocar a reforma trabalhista em votação ainda neste semestre.

O próprio líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros tem feito críticas à reforma. Após o resultado no CAS, ele disse que as mudanças agravam as circunstâncias econômicas. Além do racha na bancada do PMDB, o próprio PSDB já dá sinais de afastamento de Temer.

O senador Eduardo Amorim, voto decisivo na derrota no CAS, afirmou que é a favor da entrega de cargos e desembarque do governo.

Na oposição, o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT), avaliou que o resulto de ontem é sinal de que a reforma da Previdência jamais passaria. “A trabalhista tem chance de ser derrotada no Senado e se voltar, a gente derrota na Câmara também. Governo vai ladeira abaixo. Ele se sustentava porque tinha o mercado financeiro e votos no Congresso. Agora estremeceu tudo”, apontou. Ele se referia à queda da bolsa e alta do dólar após a votação na CAS.

Para o analista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Baía, a derrota foi uma estratégia da própria base para valorizar seus votos e abrir negociações com o governo. “Na minha avaliação isso representa um jogo interno para negociar a posição no Plenário, sobretudo do grupo ligado a Renan e do PSDB. Não é um voto contra a reforma”, avaliou. (O Povo com Agência Estado)

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