Os discursos dos seis candidatos a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, em debate ocorrido em Fortaleza, na noite do último sábado, não saíram do campo de gravitação em torno dos dois principais personagens do atual cenário político do partido: o presidente Lula e a ministra-chefe Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência. Reavaliação do partido e a reaproximação dos movimentos sociais também permearam um debate de poucos confrontos. O Processo de Eleições Diretas (PED) do PT vai ocorrer em 22 de novembro.Favorito por ter o apoio das forças majoritárias do PT, José Eduardo Dutra foi o primeiro a discursar. Embora integre a ala mais moderada do partido, Dutra ensaiou críticas, citando avaliações de que o PT sofreu um esvaziamento e um distanciamento dos movimentos sociais. Mas logo emendou que não concorda com tal fato, por ter sido esse setor que "impediu um golpe das elites" para acabar com o primeiro mandato de Lula em 2005 - período em que o partido se viu às voltas com o escândalo do mensalão.
Ex-presidente da Petrobras e da BR Distribuidora, Dutra tem apoio do presidente Lula para presidir o partido. "Não serei o presidente da corrente A ou B. Vou ser presidente de todos os petistas", prometeu.
Candidato do campo "Mensagem ao Partido", apoiado, dentre outros grupos, pela corrente Democracia Socialista - da qual faz parte a prefeita Luizianne Lins, candidata favorita à presidência do PT no Ceará - José Eduardo Cardozo defendeu que o primeiro movimento do PT após o PED seja o de unidade no partido. "A direção nacional tem de ter sensibilidade, e as direções estaduais também, para construir programas comuns", avaliou.
Respondendo a críticas de colegas da ala mais esquerdista, ele defendeu a política de alianças em nome da governabilidade. "Não teríamos aprovado avanços como o Prouni se não fossem os aliados". Deputado federal por São Paulo, ele reclamou que os encontros do PT "se tornaram vazios, em que já sabe o resultado quando entra", em função da hegemonia de apenas um setor petista.
Integrante do Movimento PT, o deputado federal, Geraldo Magela (DF), também defendeu as alianças "que se iniciam nos partidos de esquerda e continuam com os partidos que dão sustentação a Lula". No entanto, alegou que isso não pode tirar a autonomia das alianças nos estados, defendendo candidaturas próprias em alguns casos & sem citar o caso do Ceará.
À frente da chapa Esquerda Socialista, a deputada federal, Iriny Lopes (ES), disse que o partido precisa se organizar para formar o projeto Dilma, também levando em conta as alianças. "Hoje é muito presente no PT, a questão dos novos filiados. Nós precisamos de mais gente. Mas não pode ser apenas filiado, tem de ser militante", disse.
As maiores provocações partiram dos dois candidatos das alas mais radicais: Markus Sokol e Serge Goulart. Ambos criticaram a política de alianças de Lula e defenderam maior pressão sobre o Planalto para que se realizem as reformas. Os aliados do PT no Ceará também não escaparam das alfinetadas.
Sokol questionou os "companheiros do Ceará" o motivo pelo qual não se lança candidatura própria e se apoia um Governo que, segundo ele, não investe de forma satisfatória em saúde e educação. "Dizem que é para eleger a Dilma. Para quê? Para matar de fome os professores?", atacou. Já Serge demonstrou não gostar da estratégia de lançar o deputado Ciro Gomes (PSB) ao Governo de São Paulo. "Agora querem nos empurrar o Ciro Gomes em São Paulo, esse oligarca disfarçado de socialista", criticou, arrancando alguns aplausos.
E MAIS
NO CEARÁ
A prefeita Luizianne Lins (PT) - candidata a presidente do PT no Ceará - não compareceu. O deputado Eudes Xavier (PT) avisou que Luizianne estava no encontro de prefeitos e vice-prefeitos do partido, em São Paulo, e anunciou que ela vai integrar o núcleo de organização do programa de campanha de Dilma Rousseff.
O ministro da Previdência, José Pimentel, estava na plateia e foi citado como candidato ao Senado.
Nenhum deputado estadual compareceu ao debate. Da bancada federal cearense, os deputados Eudes Xavier (PT) e José Airton Cirillo (PT) foram os representantes. Do deputado federal José Guimarães (PT), apenas um faixa indicando apoio a José Eduardo Dutra.
(Fonte: Jornal O Povo)
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