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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ausência de discussão desagrada aos petistas


O Processo de Eleição Direta (PED) é citado pela maioria dos militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) como diferencial de democracia interna da sigla com relação à outras legendas constituídas no País. O interesse em garantir a ocupação de espaços de poder nas eleições 2010, no entanto, acaba por desvirtuar o processo de eleição dos novos dirigentes e põe em contradição o discurso de alguns líderes da agremiação.

Sempre que o PED se aproxima, vão surgindo as divergências entre as candidaturas das diversas correntes internas, é comum o argumento de que a disputa não afeta a imagem da sigla, pois é uma demonstração de democracia partidária, como destacam corriqueiramente, alguns dirigentes. Agora, entretanto, na iminência de ter afetada a imagem da legenda que se prepara para uma campanha à Presidência da República com a possível candidatura da ministra Dilma Rousseff, os argumentos mudaram.

Há dois anos, quando a disputa pelo comando estadual da legenda foi entre Joaquim Cartaxo e Ilário Marques, muitas divergências de posição até mesmo com relação ao Governo do Estado foram externadas o que obrigou os líderes terem, posteriomente, que reparar algumas declarações dadas no momento do embate político.

Até mesmo questões internas como a possibilidade de votação para filiados de municípios onde se constituía apenas uma comissão provisória, e não um diretório, foram arguidas por um dos candidatos. Em 2009, como o interesse é outro, nada disso está sendo discutido, pouco mais de uma semana antes de os filiados irem às urnas.

O deputado federal Eudes Xavier deixa claro que a prioridade dos grupos petistas é a eleição de 2010. "Não adianta termos a Presidência da República, se não tivermos unidade no partido. O PED já é um reflexo de 2010", disse o parlamentar.

Pontos

Ele explicou que quando fala em unidade, se refere, a alguns pontos principais. "É claro que, dentro do PT, cada corrente tem as suas ideias, o seu pensamento. Mas o momento é de união e de um candidato consensual. Todos entenderam assim", disse, fazendo menção à candidatura consensual da prefeita Luizianne Lins, embora haja uma outra candidata, Maria José Alves, de corrente O Trabalho.

Quando questionado sobre os resquícios que um embate interno deixavam, Eudes admitiu que a imagem do partido acaba sendo atingida com os embates. "O PT é observado pelos outros partidos e boa parte do que acontece internamente tem repercussão na sociedade. Agora, os embates passados, trouxeram melhorias posteriores para o ambiente interno", pondera.

O atual presidente estadual do Partido, Ilário Marques, que tem feito críticas corriqueiras ao Governo do Estado, diz que, embora haja consenso em torno do nome da prefeita Luizianne para presidir o partido, o PED deste ano não trouxe discussões que para ele, seriam fundamentais para um partido em véspera de eleição nacional e estadual. "A disputa não é só pela presidência. Tem o Congresso Nacional que deveria estar sendo debatido". Segundo ele, a ideia de uma candidatura consensual, contra a qual lutou até o último momento, mesmo porque queria pleitear a reeleição, é apenas de parte dos petistas.
(Fonte: Jornal Diário do Nordeste)

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