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terça-feira, 26 de junho de 2012

Ex-Boca e Corinthians, Iarley vê Timão mais maduro para a conquista

Nesta quarta-feira, o Boca Juniors entrará em campo para sua décima final de Taça Libertadores. É o número de participações do Corinthians na competição. O Timão, em 102 anos de história, disputará sua primeira decisão. Das três vezes anteriores em que fizeram o último jogo da final em solo brasileiro, como será em 2012, os xeneizes levaram o título. Mas só o futebol permite que essas estatísticas sejam apenas meros detalhes. Quem sabe de cor os componentes que fazem deste jogo um evento que transcende as estatísticas é Iarley.

O atacante, que atualmente defende o Goiás na Série B, viveu os dois lados dessa decisão. Durante um ano, entre 2003 e 2004, teve a responsabilidade de vestir a camisa 10 imortalizada por Maradona no Boca Juniors. E também durante uma temporada, sentiu de perto o peso de fazer parte do Timão. Com sua experiência, dicas não faltam para ajudar o Corinthians.

– O Corinthians não pode fugir muito das características que apresentou contra o Santos. Aquele é o caminho, a disposição que todos apresentaram, a vontade, vai ser um jogo muito equilibrado, porque o Boca tem a mesma característica. Dentro da Bombonera, sai, ataca muito. Então, se o Corinthians fizer uma boa marcação, se tiver um esquema de aproveitar um contra-ataque, tem grande chance.
Na Bombonera o Boca ataca muito. Então, se o Corinthians fizer uma boa marcação, se tiver esquema de aproveitar o contra-ataque, tem grande chance"
Iarley

Pelo Boca, Iarley foi campeão do Torneio Apertura e do Mundial de Clubes, em 2003, e vice-campeão da Libertadores de 2004. No Corinthians, ele fazia parte da equipe que foi eliminada nas oitavas de final da competição continental pelo Flamengo, em 2010. Com a experiência de ter disputado a Libertadores também pelo Internacional e o Paysandu, o veterano não hesita em dizer que o Boca foi uma grande escola para seu futebol, e deveria ser para todas as equipes que jogam o principal torneio de clubes das Américas.

– O Boca ensinou muito sobre a maneira de jogar esse tipo de torneio. É um time que joga dentro de casa para vencer, vai com tudo, e fora também se impõe. Não interessa onde esteja jogando, no campo que seja, essa é a mentalidade do Boca.

A diferença de estilos de jogo entre as equipes brasileiras e as argentinas ficou nítida para Iarley após sua passagem em terras portenhas. Segundo ele, a famosa catimba das equipes do país vizinho não chega perto da "malandragem brasileira".

Boca x Corinthians: o lado da paixão

Boca e Corinthians construíram boa parte da tradição deste duelo nas arquibancadas.

- O Corinthians é o Boca do Brasil, e o Boca é o Corinthians da Argentina.

Iarley afirmou isso ao citar a paixão característica dos torcedores de ambos os clubes. Entretanto, o atacante, que já viveu experiências como mandante e visitante nas duas equipes, minimiza a pressão que vem do "12º jogador". Mas diz que os brasileiros ainda têm muito que aprender com os argentinos no que se refere a apoiar o seu time.

– O torcedor ajuda mais a pessoa que está jogando a favor. Se a torcida se manifesta bem, está torcendo, o jogador sente isso e continua. Não vejo tanta pressão do adversário, acho que o jogador já está acostumado a jogar com torcida. Por isso, acho que as torcidas brasileiras têm de aprender a torcer, não vaiar. Se vaia, atrapalha o time. No Boca Juniors isso não acontece. Eles não vaiam. Esse é um lema da torcida. É uma coisa que o corintiano está começando a fazer, e isso tem sido muito importante.

Iarley conhece muito bem a Bombonera. Não só por ter jogado pelo Boca, mas por ter enfrentado o time argentino e sua fanática torcida. Ele foi protagonista de um resultado histórico para o Paysandu. No 24 de abril de 2003, com um gol do atacante, o Papão venceu o Boca, na Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores. Foi um dos resultados mais importantes da história do Paysandu e da carreira de Iarley, que com o gol garantiu sua transferência ao Boca (veja o vídeo abaixo). No jogo da volta, em Belém, o Papão perdeu por 4 a 2. Mais do que a decepção, ficou a lição para Iarley. Ele diz que o time paraense mostrou como se suporta a pressão da Bombonera.

 – Você sente La Bombonera, mas não é isso tudo. O jogador mesmo, o profissional, que já está batizado, não pode sentir uma torcida só porque ela está gritando, fazendo festa. Tem de se preocupar com o adversário.

Para quem vestiu a 10 de Maradona - que já pediu uma camisa a Iarley - , a pressão está mais do lado dos que entram em campo pelo Boca Juniors, do que com os visitantes.

– Tem jogador que treme. Havia muitos meninos que quando entravam na Bombonera sentiam mesmo. Isso acontece muito. É uma responsabilidade muito grande. No meu caso, todo mundo ficou com a expectativa quando fui jogar na Bombonera, e com a camisa 10 do Maradona que me deram, mas na hora viram o meu jogo e ficaram tranquilos.

‘O Corinthians tem tudo para ter a primeira conquista’

Iarley estava em campo na eliminação do Corinthians para o Flamengo nas oitavas de final da Libertadores de 2010. Em 2011, quando o Timão foi eliminado pelo Tolima, ainda na fase preliminar da competição, o atacante já estava no Ceará. Mas ele sempre manteve contato com os amigos Danilo, Alex e Paulo André, e nunca deixou de acompanhar os jogos do Timão. Para o atacante, a evolução do time é nítida.
Hoje tudo é favorável, o time aprendeu e tem essa vontade de ganhar o título"
Iarley

– Há uma diferença muito grande do time que eu estava com esse de agora. O Corinthians melhorou muito sua maneira de jogar. É mais sólido. Naquela época, houve muitas trocas de treinadores, o time ainda estava em formação mesmo. Foi muita inteligência manter o Tite, que continuou o trabalho, teve regularidade e isso foi muito importante.

Para o atacante, o amadurecimento do Corinthians ocorreu não apenas dentro de campo, mas também entre os torcedores. A pressão pelo título inédito já não atrapalha mais os jogadores.

– Essa vontade do torcedor era um obstáculo. Mas o grupo ganhou experiência. Hoje, tudo é favorável, o time aprendeu. A experiência desses dois anos seguidos foi muito importante. O Corinthians tem tudo para ter a primeira conquista.

Com amigos dos dois lados da decisão, Iarley diz não ter preferências. Torce apenas para um bom jogo.

– Eu vou ter que ficar em cima do muro. Vou estar na expectativa, mas bem tranquilo mesmo porque tenho um carinho muito grande pelos dois clubes.

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