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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Quixeramobim alagou e a culpa é de quem?

Com o título acima, acompanhe o editorial do site Repórter Ceará nesta quinta-feira, 12:

Na tarde de ontem, 11, uma chuva de 62 milímetros foi registrada no município de Quixeramobim. Apesar de representar algo bom para o povo do sertão que vive um período longo de escassez hídrica, foi observado que a cidade teve diversos pontos de alagamentos que, por sua vez, foram o pontapé para inúmeras críticas relacionadas à infraestrutura do município, citando A e B como responsáveis pelo não escoamento da água. Mas, de quem é a culpa?

Primeiro, temos que lembrar que Quixeramobim não é uma cidade planejada como Brasília, portanto, casas são construídas desordenadamente, como os mausoléus do cemitério Nossa Senhora do Carmo da mesma cidade. Não importa se é uma ladeira, à beira de um açude ou perto de uma ponte, o importante é construir. Com certeza, deve ser levada em consideração a questão econômica, pois, muitas vezes, habitações não são construídas em locais melhores por falta de dinheiro para que seja efetuada a compra de uma residência ou a casa seja erguida em outro local. Mas, voltando ao caminho, é necessário lembrar que não é feito nenhum estudo de risco ou planejamento estratégico sobre onde e perto de onde o imóvel será erguido.

O caso citado acima pode ser exemplificado pela construção das casas que ficam próximas ao Açude da Pompeia. Dono de um odor peculiar, visto que diversos esgotos são direcionados para o reservatório, o mesmo veio a transbordar com a chuva de ontem, levando água poluída com lixo e matéria orgânica para dentro das residências próximas. Resultado? Móveis danificados, críticas à gestão e mal cheiro, além de possíveis doenças.

A situação levanta tantos dedos de pessoas dispostas a falar que seria impossível ouvir todos em um único dia levando em consideração a densidade demográfica de Quixeramobim. Mas, finalmente, e a culpa é de quem?

Toda cidade deve, obrigatoriamente, adotar um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), justamente para a cidade estar organizada. Onde construir, onde não construir, em que lugar as lojas deverão estar, tamanho de calçadas e diversos outros pontos relacionados à infraestrutura são decididos por este simples documento que Quixeramobim não possui, pois, até o momento, nenhum governante municipal ou parlamentar da Câmara dos Vereadores se propôs a dar o pontapé inicial para a construção do PDDU.

Além da gestão, a população também contribui para isto, visto a construção de residências em lugares inapropriados e o ato de jogar lixo nos pontos de escoamento. “Mas a cidade tem uma empresa para recolher os resíduos”. Sim, contudo, existem os pontos de coleta e os horários para que o lixo seja recolhido.

Vale ressaltar que a Prefeitura não realiza as fiscalizações necessárias no que diz respeito à construção de residências. Até o momento, quando se vai construir, a permissão é concedida pelo Executivo Municipal, mas não são levados em consideração os fatores de risco da área liberada. Ou seja, há omissão do próprio Governo Municipal que permanece de braços cruzados, visto que o problema é antigo e até agora nada foi feito.

Portanto, a culpa não é de A ou B. Todos têm sua parcela de culpa no cartório quando se trata do assunto, afinal, somos todos quixeramobi(n)enses. Não adianta empurrar o problema com a barriga. É necessário que exista consciência. Assim, uma ação será tomada e o problema, se bem consertado, será sanado por um bom período.

No dia que Quixeramobim estiver com seu PDDU, com canais de escoamento e indicação de lugares para construir, como também, a população saiba onde elevar sua residência, aí a cidade estará inundada, mas, desta vez, de felicidade, por ver a chuva passar e agradecer a Deus pela água que banha o SerTão.

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