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terça-feira, 13 de março de 2018

Conselheiro Antônio não morreu

Com o título acima, eis o artigo da professora, coordenadora pedagógica da EEMTI Cel. Humberto Bezerra e secretária da Academia Quixeramobiense de Letras, Ciências e Artes (AQUILETRAS), em homenagem ao aniversário de Antônio Conselheiro celebrado hoje, 13. Confira:

Há 188 anos que nesta terrinha de meu Deus nascia um Antônio e, com ele, a semente de um sonho. Sonho que alimentou a luta, uma luta desigual e desumana como a vida de seu povo, como se natural fosse a mesa farta do banquete de alguns à custa da miséria da maioria.

E a criança sofrida se fez homem e sentiu na pele a dor da injustiça social que maltrata o corpo e fere a alma de seus irmãos. E assim, saiu Antônio em nome de Deus, pelo sertão adentro e pelo sertão afora, disseminando o sonho da Terra Prometida e arrastando multidões. O sonho, pouco a pouco, foi crescendo no seu coração e desenhando em sua mente um projeto: construir uma sociedade igualitária, saciar a fome e a sede através do trabalho coletivo na terra que é de todos.

Além de milhares de seguidores, atraiu também o ódio dos “donos do poder”ameaçados em sua hegemonia dominante. Pagou um preço alto pela ousadia de pensar e de fazer diferente. Machucaram seu corpo, porém não conseguiram endurecer sua alma. Mancharam seu nome mas não apagaram sua luta.

E o sonho, que se fizera coletivo, deixou de ser um sonho só. Tornou-se realidade: Canudos foi a prova viva de que é possível sim, construir um mundo melhor para todos. Uma vida simples, porém digna, sem miséria nem riqueza, onde todos trabalhavam e as mãos que, muitas vezes estiveram vazias ou estendidas para suplicar esmolas ou direitos como se favores fossem, passaram a produzir alimento, fruto do suor de seus rostos.

Um pobre sertanejo mostrou ao mundo e de forma prática uma sociedade alternativa que muitos intelectuais teorizaram e não saiu do papel. Uma sociedade construída com a cara e voz do povo e que incomodou muita gente do lado de cima. E por isso, foi cruelmente extinta. Virou um grande palco de guerra, uma lagoa de sangue que afogou tantas vidas. Tentaram apagar da memória social.

Não conseguiram. Contaram a história mal contada, como sempre o fazem, mas ela resistiu pela força e coragem de um povo simples e guerreiro que deu a vida por uma causa, de todas a mais nobre: a luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

Antônio não morreu…continua aí, mais vivo do que nunca, junto aos seus seguidores, enfrentando a ira de um sistema historicamente cruel e excludente em sua essência. Continuam os golpes e toda a crueza de uma luta ideológica perversa e amoral que sempre tem denegrido a imagem dos líderes populares e ameaçado os projetos de inclusão social.

E a história continua a ser escrita com suor e sangue… Que a semente plantada por Antônio Conselheiro seja relembrada e refletida para iluminar a luta sempre tão presente e atual por um futuro mais feliz e mais humano para tantos Antônios, Joãos, Chicos, Josés e Marias que continuam sofrendo as dores de um mundo injusto que lhes nega a qualidade de vida e lhes rouba o direito de ser cidadão em um sistema que fabrica a miséria e que tenta,a todo custo,se perpetuar no poder inocentando a si mesmo e culpando o pobre pela vida desumana a que tem sido condenado.

E a história se repete na sua forma mais cruel. Mesmo assim, este mundo ainda tem jeito. Há sempre uma esperança brotando. Ela não morre jamais. Salve a todos que abraçam a luta por um mundo melhor para todos! Viva Antônio Conselheiro!

Por
Maria Goreth Pimentel Nunes Amâncio
Professora, Coordenadora Pedagógica EEMTI Cel. Humberto Bezerra e Secretária da Academia Quixeramobiense de Letras, Ciências e Artes – AQUILETRAS.

(Do Repórter Ceará)

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