quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Um capítulo de terror em nossa história

Há 140 anos atrás teve início uma seca no Ceará. No segundo semestre de 1877 começaram a aparecer nos registros de óbitos, feitos pelo padre Salviano Pinto Brandão os casos de pessoas que morreram de fome, principalmente idosos e crianças. Privados de alimentos, muitos foram os quixeramobinenses que padeceram de enfermidades relacionadas à carência de nutrientes.

Os casos de beribéri apareceram na cidade junto com a seca. A esposa do Dr. Cornélio Fernandes faleceu vitimada pela doença, já a esposa do Cel. João Paulino de Barros Leal conseguiu se recuperar usando como recurso a migração para Conceição, hoje conhecida como Guaramiranga, onde dispunha de temperatura mais amena. Porém, deixar as cidades e se estabelecer nas regiões serranas do Ceará era privilégio de apenas uma parcela da população.

A solução encontrada pelo Governo da Província para satisfazer as necessidades dos famélicos era a distribuição de gêneros alimentícios, especialmente em troca de serviços em obras públicas. O ideal seria que os retirantes não se dirigissem à Fortaleza, para evitar inconveniências; no entanto, o próprio Presidente da Província, João José Ferreira de Aguiar, reconhecia que as localidades situadas no sertão central seriam as mais afetadas, tendo em vista que conduzir os gêneros alimentícios para essas paragens era tarefa das mais difíceis, pois para transportar tais produtos fazia-se necessário garantir alimentação e água para os animais de carga. Além disso, o contexto de seca era marcado também pelo crescimento da violência relacionada aos saques nas estradas, o que, por sua vez, demandaria investimentos em segurança.

As ações de combate à seca eram provisórias. As Comissões de Socorros, compostas por autoridades locais nos municípios cearenses, tinham a responsabilidade de assegurar que os recursos remetidos pelo Governo da Província chegassem aos necessitados. No entanto, não raro, os jornais cearenses veiculavam notícias referentes a desvios e apropriações indevidas dos itens que deveriam salvar os mais carentes.

A seca que se iniciou em 1877 e se estendeu até 1879, tal qual bicho selvagem, entranhou suas garras nos quixeramobinenses – e demais cearenses – através do beribéri, doenças do trato digestório, febres e varíola. Há 140 anos, outros, que vieram antes de nós, padeceram, e merecem ser lembrados. (Do SerTão Para Ser do Ceará / Texto: Mayara Lemos / Foto: David Einstein)

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