segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quixeramobim precisa conter a epidemia de dengue e chikungunya

Com o título acima acompanhe o editorial do site Repórter Ceará, publicado neste domingo, 23:

A explosão de casos de dengue e chikungunya verificada este ano em Quixeramobim revela a gravidade da epidemia em curso no município. Já são mais de dois mil casos notificados, número que aponta para uma proliferação descontrolada do Aedes aegypti. Nesse segundo semestre, se ações urgentes e positivas de combate ao mosquito não forem adotadas, o cenário se agravará ainda mais diante das altas temperaturas e do provável racionamento de água.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado, entre o início do mês de janeiro e a primeira quinzena do mês de julho, foram notificados 2.117 casos de dengue e chikungunya no município, um total de 10,8 novos casos a cada 24 horas. O índice de infestação predial chega a 11,73%. Em comparação com o vizinho Quixadá, Quixeramobim tem 9 vezes mais casos notificados de dengue e chikungunya.

No mesmo período, foram registrados 1.042 casos de dengue, número que, além de representar uma elevação de 155% em comparação com todo o ano de 2016, coloca Quixeramobim entre os dez municípios cearenses que apresentam alta incidência da doença no estado. Destes casos, 276 foram confirmados, o que reflete o espantoso aumento de 281% em relação ao ano anterior.

Os números chegam a assustar. No entanto, não há um fenômeno isolado que explique a elevação da ocorrência das duas doenças. O que se tem é uma soma de fatores que contribuem para a instauração do cenário atual. O descuido da população com a água armazenada dentro de casa, o processo de urbanização desordenada e a ineficiência no combate ao mosquito são algumas das causas da epidemia recente.

De acordo com dados do primeiro Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), mais de 80% dos focos de infestação do mosquito estão dentro das casas dos cearenses. Com as chuvas que caíram no primeiro semestre do ano, os reservatórios destampados postos ao nível do solo se transformaram em potenciais criadouros do mosquito.

Também é preciso destacar que o serviço de saneamento básico de Quixeramobim não conseguiu acompanhar o crescimento acelerado do mercado imobiliário verificado no transcorrer da última década na cidade, o que aumentou exponencialmente o número de residências sem acesso à rede de coleta e tratamento de esgotos.

Soma-se aos fatores acima citados a ineficiência do poder público em combater o mosquito. As medidas preventivas adotadas não surtiram o efeito desejado. As campanhas realizadas não conseguiram mobilizar a população para adoção de cuidados com os focos de infestação dentro das residências.

Quixeramobim precisa de uma ação emergencial que contenha a epidemia em curso. Mas também, o município carece de uma nova estratégia de combate ao mosquito Aedes aegypti. É necessário considerar a gravidade da situação e, a partir desta, construir um plano de políticas permanentes de enfrentamento ao mosquito. Este plano precisa conter medidas preventivas como campanhas de sensibilização, aumento da frequência de visitas dos agentes de endemias às residências, bem como uma melhor capacitação destes, além do monitoramento das infestações por bairro através das redes sociais. A epidemia atual é uma oportunidade que o município tem de se tornar referência estadual em combate ao vetor da dengue, zika e chikungunya.

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