segunda-feira, 3 de julho de 2017

Anarriê! Anavantu!

Com o título acima, segue o artigo do Diretor-Presidente do Sistema Maior de Comunicação, Sérgio Machado, sobre como são desenvolvidas as festas juninas, fazendo um paralelo entre os festejos tradicionais e os atuais. Acompanhe:

Os festejos juninos avançaram no calendário e adentram julho com arraias Brasil afora e, como não poderia deixar de ser, algumas polêmicas também. Especialmente no Nordeste, onde o São João (e também o São Pedro) sempre foram tidos como a maior festa cultural da região.

Acontece que, em nome da indústria do entretenimento, o São João Raiz tem perdido cada vez mais espaço para o São João Nutella, o que fez com que Elba Ramalho e outros nomes da música nordestina se reunissem numa campanha chamada “Devolva meu São João”, que defende a predominância do forró nos festejos do período, frente ao grande número de cantores e duplas sertanejas nesses eventos, o que de certa forma descaracteriza as comemorações.

Entendo que o Brasil é um País multicultural e que nesse mundo globalizado, os ritmos dialogam, afinal, a cultura é movimento, é viva. Porém, temos um ano inteirinho para que esse intercâmbio aconteça, achamos necessário que ao menos nesses dois meses de festejos, não percamos a essência da nossa maior festa.

A espetacularização do São João vai aos poucos descaracterizando o que temos de mais bonito. Até mesmo as quadrilhas tradicionais estão perdendo espaço para as quadrilhas estilizadas, com enredos e alegorias que mais parecem escolas de samba. Diante do que temos visto, ousaríamos até ‘suassunar’ afirmando que não trocamos a nossa chita e o nosso chitão pelo swarovski de ninguém, o nosso aluar pelo Cyroc, ou o legado do velho Lua, de Jackson do Pandeiro e Dominguinhos por essa galera que (tem seu valor, mas) já tem tanto espaço na mídia e em todas as épocas do ano.

Não queremos aqui fazer juízo de valor, ostentar preconceito musical, mas para aqueles que acreditam que não seja possível fazer uma festa bonita com o que temos de melhor na nossa cultura, a nossa sanfona, o nosso zabumba, o nosso triângulo, faço um apelo: Respeitem o nosso São João, respeitem o Nordeste, preservem a nossa cultura, chega de colocar o que temos de melhor em papel secundário.

Vamos brincar de Carnaval na época ou fora de época, mas respeitem o nordeste! Respeitem os oito baixos de Januário, as anáguas das moças faceiras e os passos tradicionais das nossas quadrilhas matutas. O São João é grande demais para ficar como coadjuvante, belo demais para ficar à sombra de outros ritmos. Viva a cultura nordestina!

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