Atendendo a um pedido da defesa, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o julgamento do pedido de liberdade do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido). Não há previsão de quando o caso será levado ao plenário da Suprema Corte. O adiamento foi solicitado, na tarde de ontem pelo advogado Nélio Machado. O julgamento estava previsto para a sessão de ontem.
Segundo Machado, ele precisou adicionar novos argumentos no habeas corpus porque só agora teve acesso às notas taquigráficas da sessão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que determinou a prisão de Arruda. “Com as notas taquigráficas, eu pude atacar o teor do que foi decidido”, afirmou.
Machado defende ainda que Arruda seja ouvido pelo STJ sobre a suposta tentativa de suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra, antes da análise do pedido de habeas corpus. Após oficializar o pedido, Machado foi para a Superintendência da Polícia Federal, onde pretende comunicar ao governador afastado a nova estratégia da defesa.
Segundo o secretário Alberto Fraga (Transportes), Arruda afirmou que não está com grandes expectativas em relação ao julgamento pelo STF. Fraga disse ainda que Arruda não pensa em deixar o governo para se livrar da prisão. “Ele [Arruda] descartou a hipótese de uma renúncia. Não existe essa possibilidade, essa palavra não saiu da boca dele em momento nenhum. Ele me disse que vai até o fim”, afirmou.
Surpresa
Amigo de Arruda, o secretário disse que foi surpreendido com a falta de expectativa do governador em retomar a liberdade. “Perguntei sobre a expectativa do julgamento, mas confesso que fui surpreendido e ele me disse que fica o tempo que for necessário. Ele não demonstrou nenhuma esperança com relação ao julgamento de amanhã”, disse. O secretário reclamou das instalações de Arruda. “Eu, como militar, já dei abrigo a muitas pessoas que foram presas pela Justiça e confesso a vocês que as instalações eram muito melhores do que a que ele está hoje. A situação não é adequada. Um governador que é governador que não tem banheiro é uma questão que as pessoas precisam imaginar e lembrar que não foi assim no resto do país. Parece que Brasília foi pega como bode expiatório”, disse.
Preso na Superintendência da Polícia Federal, o governador afastado foi transferido na sexta-feira para uma sala de dez metros quadrados, sem banheiro e com um beliche. Quando foi preso no dia 11, Arruda foi levado para uma sala do INC (Instituto Nacional de Criminalística), com 40 metros quadrados, ar condicionado e banheiro individual.
Arruda recebeu ontem a visita do arcebispo de Brasília, dom João Braz de Aviz, na Superintendência da Polícia Federal e queixou-se do “isolamento total até daqueles que eram seus amigos”. “A conversa que tive com ele foi de nível espiritual e religioso. É um momento difícil para ele, que acabou se tornando o símbolo de um problema político que vai além do caso específico e atinge toda cultura política errada de nosso país, que requer muito trabalho para ser modificada”, afirmou dom João.
Corregedor pede quebra de decoro para nove deputados
O corregedor temporário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (DF), deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), pediu, ontem, a abertura de processo de quebra de decoro parlamentar contra nove deputados distritais. Oito deles suspeitos de envolvimento no esquema de pagamento de propina no governo distrital. O andamento dos processos só tem início se for aprovado pela Comissão de Ética, que deve analisar os pareceres de Ribeiro amanhã, 25.
Os deputados investigados pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, são: Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Eurides Brito (PMDB), Junior Brunelli (PSC), Leonardo Prudente (sem partido), Rogério Ulysses (sem partido) e Rôney Nemer (PMDB).
O corregedor também solicitou a quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara Legislativa, deputado Cabo Patrício (PT), acusado de favorecer empresas em projeto de lei, de acordo com informações da Casa. Patrício assumiu a chefia da Casa ontem, 23, depois que Wilson Lima (PR) passou a governador interino do DF devido à renúncia de Paulo Octávio (sem partido).
Contratos Suspeitos
No primeiro dia de trabalho, o novo governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), determinou a suspensão imediata dos contratos firmados com doze empresas investigadas pelo STJ, por suposta participação no esquema de arrecadação e pagamento de propina que envolve o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido).
(Fonte: http://www.oestadoce.com.br)
REDIRECIONAMENTO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
STF adia julgamento do habeas corpus de Arruda
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