
Subordinada a José Roberto Arruda (DEM), a Polícia Militar do Distrito Federal mobilizou ontem um arsenal que incluiu cavalaria, bombas de gás lacrimogêneo e cachorros para impedir que manifestantes contrários ao governador chegassem à Rodoviária do Plano Piloto.
Três manifestantes foram detidos sob acusação de desacato. Várias pessoas ficaram feridas por causa da violência da repressão ao protesto. A confusão na área central da capital durou cerca de três horas e começou por volta das 11h30, quando um grupo de cerca de 2,5 mil pessoas, segundo estimativa da própria PM, tentou interditar o Eixo Monumental, principal artéria rodoviária da capital, que liga a sede do governo local, o Palácio do Buriti, à rodoviária.
Acionada, a tropa de choque agiu com rigor, distribuindo golpes de cassetetes. Mesmo deitados, manifestantes passaram a ser golpeados. Um estudante foi pisoteado por cavalos. Segundo informações da PM, 400 policiais participam da ação. Parte do efetivo fez um cordão de isolamento em volta do Palácio do Buriti.
Para o chefe do Comando de Policiamento da PM, coronel Luiz Henrique Fonseca, não houve excesso de violência. "Os manifestantes quebraram o acordo e invadiram a pista, por isso houve o confronto", disse.
Ontem a Câmara Distrital começou a analisar o projeto de lei, com a assinatura de membros de todas as bancadas, que cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a rede de distribuição de propina a políticos e membros do governo local, conhecida como mensalão do DEM.
Desmantelado pela operação Caixa de Pandora, o esquema seria comandado pelo governador Arruda, alvo de três pedidos de impeachment recebidos pela Casa. Com a CPI e a instalação da comissão especial que recomendará a abertura ou não do processo de impeachment, a Câmara espera dar uma satisfação à opinião pública. "A crise é muito séria e exige respostas à altura", afirmou o deputado Paulo Tadeu (PT-DF). Arruda joga com a maioria folgada que desfruta no Legislativo - até a crise ele tinha 19 dos 24 distritais da casa - e com o fator tempo. No próximo dia 15 começa o recesso parlamentar. Ontem, Arruda conseguiu um mandato de segurança para impedir que o DEM o expulse.
Com base na lei federal, de 1950, que trata dos crimes de responsabilidade a Procuradoria da Câmara entendeu que só cabe o processo quando o acusado está na função de governador. Com isso, o vice Paulo Octávio, está livre de imputação de crime e assumirá o cargo se Arruda for afastado.
(Fonte: Jornal Diário do Nordeste)
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