
Uma semana após ter dito em Brasília que o PT paulista não prima pela capacidade de fazer alianças, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a criticar seu próprio partido. Dessa vez, no Estado onde a sigla foi criada, em 1980, e alcançou projeção.
"Como Deus escreve certo por linhas tortas, o companheiro Marinho conseguiu se eleger . Antes, a gente perdia eleições porque o PT era metido à besta, não fazia aliança política, queria sair sozinho", afirmou Lula, na cidade do ABC paulista.
O PTB, com o cantor Frank Aguiar, detém o cargo de vice-prefeito de São Bernardo do Campo. A aliança foi costurada pelo próprio Lula e por Marinho diretamente com os comandos nacionais dos dois partidos, sem a interferência dos diretórios estaduais.
Depois da declaração de Lula, Marinho, um dos principais nomes do PT no âmbito nacional, defendeu a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) ao Palácio dos Bandeirantes com o apoio dos petistas paulistas.
"No governo de São Paulo, estamos trabalhando fortemente para a construção de uma aliança para o ano que vem. Eu, particularmente, enxergo a possibilidade da costura da maior aliança no Estado de São Paulo da história do PT. Uma dessas possibilidades é com Ciro na cabeça de chapa", disse o prefeito. Ainda no aspecto político, a visita de Lula ao ABC hoje também serviu para provocar o PMDB, já que o presidente estava acompanhado do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, candidato à reeleição com o apoio do Planalto.
Em São Paulo, o PMDB, liderado pelo ex-governador Orestes Quércia, está fechado com o tucano José Serra.
Distinção
O presidente Lula disse que o governo federal não faz distinção na distribuição de verbas para cidades e Estados conforme o partido a que pertence o prefeito ou o governador. Lula afirmou que os governantes costumam pedir dinheiro sem ter formulado um projeto e que por isso os recursos não são enviados. Segundo ele, quando apresentadas, boas ideias são aprovadas, independente do partido a que o prefeito e o governador estão filiados. "Nós não fazemos distinção de que partido é o prefeito ou o governador. Sejam de qualquer partido o governador ou o prefeito, se o povo precisa, a gente tem mais é obrigação de fazer sem olhar, porque não se pode deixar de dar comida para o porco porque não se gosta do dono. Você precisa tratar as pessoas com o respeito que elas merecem", afirmou. Lula disse ainda que a Caixa Econômica Federal, em seu governo, bateu o recorde de construção de casas populares que pertencia ao governo do ex-presidente João Baptista Figueiredo, último governante militar da ditadura instalada no País em 1964.
AGENDA
Presidente quer visitar 21 países de janeiro a julho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reabrir o Palácio do Planalto em abril, quando a capital completa 50 anos. Pelos primeiros esboços da agenda para o último ano de governo, ele, no entanto, deve aproveitar pouco a reforma do prédio, pois quer ir a 21 países até julho. No final de fevereiro, o presidente programou um giro pela América Central e México, com paradas em Cuba, El Salvador e Haiti.
Esta será a última vez que o presidente visitará as tropas da missão brasileira em Porto Príncipe antes do encerramento de seu mandato. Em março, Lula quer ir a Israel, à Jordânia e à Palestina. No mês seguinte, há previsão de viagem para os Estados Unidos, onde ele participa de um encontro sobre energia atômica. Em junho, Lula pretende ir ao Irã, à China e à Rússia. Já em julho, espera fazer sua última viagem à África, em cinco países, incluindo a África do Sul, para acompanhar algum jogo da Copa do Mundo.
(Fonte: Jornal Diário do Nordeste)
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